Vejo o sol nascer, sepultando por fim uma noite solitária, repleta de bons vinhos, papéis e caneta.

Perdida em pensamentos acendo um cigarro, sinto vagarosamente os efeitos da nicotina percorrendo o meu corpo, um êxtase momentâneo e indescritível.
Está um belo dia lá fora mas opto por fechar minha persiana, limitando ainda mais o "meu mundo".
Bate a solidão...
Começo a perder a sobriedade...
-Mais um vinho? Pergunto a mim.
-Não é uma má idéia...
Vagarosamente vou até a adega, escolho um Louis Roederer’s Cristal, e semelhante a um ritual o abro e começo a degustá-lo com prazer.
Perdida em devaneios de minha mente, percebo que são quase 9 da manhã. Sinto um forte prazer ao perceber que estou bem, não receber um telefonema ou um convite amigo para sair num final de semana não me abalou.
Começo uma auto análise. Será que sóbria eu estaria tão bem como estou? Ou consegui alcançar a paz de espírito mesmo embriagada?
Um flash de lucidez embriagada... Descubro que estou bem, a vontade simplesmente por estar sozinha. Não há necessidade alguma de reprimir sentimentos, ira, vontade de sentir meu corpo e de valorizá-lo independente de sua situação.
Tenho a terrível sensação de que sou mais "humana" do que eu pensava.
Penso, analiso, reflito, melhor buscar mais um vinho...


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